quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Conceito e Religião


O caminho para fé

Comumente as dores e sofrimento, são os responsáveis pelo ingresso das pessoas as Casas de Tratamento Espirituais, observando-se em menor número aquelas que as procuram por desejar conhecer ou estudar esta ou aquela Doutrina.
                Em qualquer dos casos, é fundamental que o recém-chegado busque a orientação espiritual, seja através de consultas ou de grupos de orientação formados por médiuns intuitivos preparados para essa tarefa.
                Essa orientação indicará qual o tratamento mais adequado, evidenciando-se, contudo a necessidade de conhecimento de causa, aceitação da necessidade do tratamento seja por ebó ou ètùtù como recursos básicos em qualquer situação.
                Todo recém-chegado ou iniciado tem como meta estudar e se aprofundar em todo histórico religioso, deixando bem claro que para estudar e compreender qualquer Doutrina Espiritual o indivíduo não precisa ser ou ter passado por nenhum tipo de ritual iniciativo. Quero lembrar aos mais radicais que as Universidades, cito: USP, PUC, URJ entre outras, que oferecem os cursos de Sociologia e Antropologia, são em sua maioria alunos que nunca tiveram se quer ouvido falar no Culto aos Òrìsà (Orixas) e entre tanto as portas e segredos deste culto são escancarados sem nenhum critério; fazem isto claro os maus Sacerdotes se é que assim possam ser chamados com a intenção de aparecer.
                Enquanto seus filhos ou seguidores, que estes sim, precisam de orientação e ensino tem como resposta que ainda não está na hora, ou pior, a fruta só da no tempo....
                Temos também outro grupo composto por pessoas que só veem o lado divertido das manifestações, onde se busca a predição do futuro e onde se utilizam os espíritos que a isso prestam para futilidades e zombarias de toda espécie.
                Aos espíritos levianos muito agrada esse tipo de culto.
                O simples e bom senso diz que elevados não comparecem a cultos desse. Cometeria uma profanação aquele que convidasse para semelhantes cultos individualidades veneradas porque seria misturar o sagrado com o profano.
                Existem também pessoas que tem a necessidade de ver algum tipo de manifestação física.
                Para muitas, oferecem mais um espetáculo curioso do que instrutivo.
                Para os incrédulos estes saem delas mais admirados do que convencidos. O mesmo não se da com aqueles que hajam estudado porque compreenderão antecipadamente possibilidade dos fenômenos e a observação dos fatos positivos que lhes determina ou completa a convicção se houver subterfúgios, estarão em condição de descobri-los. Quando dirigidas com métodos e prudência dão bons resultados; entretanto, há que e reconhecer que foram experiências dessa ordem que levaram os pesquisadores à descoberta de leis que regem o mundo invisível e para muita gente constitui meio de convicção.

CONSCIENCIA INSTRUTIVAS

                De caráter muito diverso dos anteriores onde se pode ter o verdadeiro conhecimento quanto à equipe de estudo, visam elevados objetivos de fraternidade, ensinamento e elevação. A primeira condição é que sejam reuniões sérias onde se vai cogitar de coisas uteis, excluindo-se todas as outras.
                Para isso, há que se contar com a presença de bons sacerdotes que acorrem onde se agrupem pessoas bem intencionadas e em condições propícias.
                As reuniões de estudo são de imensa utilidade para seguidores de manifestações inteligentes, sobretudo para aqueles que desejam seriamente aperfeiçoar-se em seu trabalho e que a elas comparecem sem serem dominados pela tola presunção de infalibilidade. O bom aprendiz é aquele que não abrange apenas o ensinamento moral que se é passado, mas, também, o estudo dos fatos.


CONCEITO DE RELIGIÃO

                Definição:- Religião (do latim, religar, liga, unir) quando bem compreendida deveria ser um laço que unisse os homens entre si, através de um mesmo pensamento ao princípio superior das coisas.
                Sabemos que existe na alma humana um sentimento natural, a busca da perfeição identificando o bem e a justiça, sentimento este que esclarecido pela Ciência, fortificado pela razão, apoiado na liberdade de consciência viria a ser móvel das grandes ações, mas que uma arma falseada, materializada tornou-se pela inquietação das teocracias um instrumento de dominação egoística.
                A religião deve ser simples, sem formas, sem cultos exteriores.
                A verdadeira religião é um sentimento é no coração do ser humano, e não nas formas ou manifestações exteriores que está o melhor Templo de Deus.
                As religiões são formas de reintegração do homem às leis naturais, instituições sociais em que se condensam as instituições espirituais que indicam ao homem o caminho de volta a Deus.
                Ao voltarmos ao passado refletindo sobre as religiões existentes na época, ficamos perplexos ao verificarmos o quanto são lentos a marcha e o progresso do ser humano no que diz respeito a cultos e crenças religiosas.
                Tudo nos parece um grande mistério, porém, numa grande analise mais profunda se constata que todas as crenças e religiões, com suas formas materiais e cerimoniais extravagantes, tinham por objetivo chocar a imaginação do povo.
                Por detrás desses mistérios as religiões antigas apareciam sob diversos aspectos, tinham ao mesmo tempo um caráter grave e elevado ou científico e filosófico; seu ensino era duplo: exterior e público, mas também interior e secreto, onde só era permitida a participação dos iniciados, ou seja, escolhidos, que eram preparados desde a infância e por toda sua vida para o conhecimento cientifico e religioso, trabalhando seu caráter e despertando as faculdades da Alma.
                Os iniciados conheciam também os segredos das forças naturais, fluídicas e magnéticas, baseando-se em certos poderes da natureza.
                Comunicava-se com os poderes ocultos do Universo, e os que detinham esses conhecimentos eram chamados e eleitos e os seus atos tidos como sobrenatural.
                Toda religião teria duas fazes: uma aparente (forma e letra) e outra oculta (espírito); debaixo do símbolo material dissimulavam o sentido religioso.
                O Bramanismo (Índia), o Hermetismo (Egito), Politeísmo (Grécia), Egbe Yorubá (sociedade Yorùbá), o próprio Cristianismo em sua origem, tinham aspecto duplo.
                Para conhecer esses aspectos é preciso um estudo minucioso de cada uma delas e sua importância perante seu povo e sua época.
                Desprendendo-se do seio dos mitos e dogmas, o principio gerador que lhes comunicava a força e a vida, descobre-se a doutrina única, superior e imutável, e que todas elas não são mais do que adaptações imperfeitas e transitórias proporcionando as necessidades dos tempos e dos meios.
                Após pacientes estudos e numerosas descobertas, Max Muller (escritor) conseguiu reconstruir esses ensinos secretos e desvendam dos seus mistérios chegou-se a conclusão de que todos os ensinos das religiões antigas se ligam porque em suas bases encontram-se os mesmos fundamentos revelados de tempos em tempos, por inúmeros mensageiros e missionários de Deus.


O SENTIMENTO RELIGIOSO

                A origem do sentimento religioso esta baseada na lei de adoração, sentimento inato ao homem, desde o despertar de sua atenção para as coisas que o envolve.
                Do homem primitivo aos dias de hoje a adoração passou por varias fases de evolução; algumas foram importantes e se conservam até hoje; outras se perderam no tempo, porém todas tiveram sua importância.
                O processo de adoração se desenvolve desde o reino mineral ate o nominal, ligados entre si, se misturando, da passagem de um estágio a outro.
                O homem carrega sua herança através do tempo.
                Desde a origem do sentimento religioso, os pesquisadores afirmam que aliado ele, já se conhecia a crença na sobrevivência da alma, embora com outros nomes.
                O primeiro fato concreto surgiu com a crença em uma força misteriosa que podia manifestar-se através dos objetos e coisas, podendo também atuar em seres humanos.
                Ficou conhecida com o nome polinésio de “Mana” e “Ordena”, sua força produzia os mais estranhos fenômenos, isso foi verificado entre diversas Tribos primitivas na África, Brasil e nas diversas regiões do Mundo.
                Os sacerdotes do culto aos Irunmòle (òrìsà) se utilizam dessa força para realização dos seus trabalhos e curas.
                O segundo fato é a prova da existência dos próprios espíritos, divindades Africanas e das práticas mágicas.
                Período chamado de Antropomorfismo, que é a característica psíquica do mundo primitivo, a maneira rudimentar da interpretação da natureza pelo homem.
Classificada da seguinte forma:
Litolatria: adoração às pedras e coisas da natureza
Fitolatria: adoração aos vegetais, plantas, flores, árvores
Zoolatria: adoração aos animais
Mitologia: adoração aos Deuses
                Com o desenvolvimento da razão, o homem transfere sua adoração para seres humanos, cultuando seus mortos¸ seus antepassados.
                Surge assim o Culto aos Ancestrais, Osíris, Iris, Hórus, Odùdúwa, ngó, Òsóòsí, Ògún, entre outros, foram cultuados como ancestrais e se tornaram mitos.
                Assim como a Zoolatria; surgem verdadeiros deuses de formas estranhas e absurdas, gente e animal ao mesmo tempo, cultuados no antigo Egito.
                A Mitologia foi um de muitos sacrifícios num verdadeiro festival de oferendas, onde a África e a Grécia foram os lugares que mais se apegaram a esse tipo de adoração.
                O homem já trazia a intuição de Deus, ou de um superior, que ele não compreendia, mas identificava nos fenômenos da natureza tais como a chuva, o trovão, etc.
                Ainda hoje, as tribos mais primitivas que não tiveram contato com os povos mais avançados bem como com suas religiões, temem e cultuam a Deus.
                Essa crença ou intuição de Deus foi o gérmen de todas as religiões, que se se desenvolveu a partir de então, tomando rumos diferentes e adquirindo características divergentes. No entanto, em pelo menos dois aspectos, todas elas concordaram sempre: A existência de um ser ou seres superiores, que chamaram Deus ou deuses e na existência de um mundo espiritual, imperceptível aos nossos sentidos, mas atuante, onde para eles, habitavam os deuses ou demônios.
  
A  EVOLUÇÃO RELIGIOSA

                Foi entre os povos primitivos do Oriente que surgiram as primeiras organizações religiosas da terra; aos qual Jesus enviava periodicamente seus mensageiros e profetas.
                Naquela época por não haver a escrita, as tradições se transmitiam de geração a geração pela palavra; com o surgimento da escrita, faz-se surgir uma nova era de conhecimentos espirituais no campo religioso.
                Os primeiros povos a nos trazerem escritos religiosos foram os “Vedas”, e isso já faz uns seis mil anos (A.C.), textos estes que inspiraram várias linhas filosóficas da Índia.
                A partir do ano 3.000AC, surge às doutrinas orientais: a trilogia Chinesa, o Islamismo, o Budismo e a tradição Yorubá, embora esta se utilizasse do recurso da escrita.
                Mais ou menos 1000 AC sábios, sacerdotes e o povo judeu recolheram lendas, tradições, costumes e leis que agrupadas formaram o Velho Testamento, daí para frente o povo passa a crer na existência do Deus único.
                Certamente a Gênese de todas as filosofias da humanidade teve sua origem sob ascendência de Amor de Deus, que na direção do planeta Terra sempre nos enviou os seus emissários para pregar o amor, a justiça e a sabedoria.
                O seu desvelado amor acompanhou de tempo em tempo a evolução de todas as criaturas em todas as direções da Terra.
                A história da China, da Pérsia, do Egito, Índia, dos Árabes, Israelitas, Africanos, Gregos, Judeus e Romanos estão clareadas pelas leis dos seus poderes.
                Todos cumpriram seus deveres como se fosse Ele próprio em sucessivas reencarnações.
                No Mana Darva encontramos a lição de Deus, na China com sua Trilogia Fo-Hi, Láo Tsé e Confúcio (3.000 AC).
                No Tibet nos ensinamentos de Buda, no Pentateuco de Moisés, no Alcorão de Maomet, no Monólito de Ninrod Odùdúwa na tradução de sua cabala Yòrùbá.
                Cada raça recebeu a seu tempo seus instrutores como se fosse enviado de Deus na resplandecência de sua glória.
                Cada emissário trouxe uma das modalidades da grande lição do Mestre da Galileia.
                A verdade é que todos os livros e tradições da antiguidade guardam entre si a mais estreita unidade substancial evoluindo gradativamente em conhecimento a respeito de Deus em toda a sua essência e amor.
                Porém, o orgulho, a vaidade, a iniquidade modificaram o verdadeiro e único sentido de cada religião uma fonte de satisfação salientando que muitos cultos do Oriente e do Ocidente caminharam para o Terreno da dissolução e da imoralidade.

 Kekere Awo e Bàbálòrìsà  Ifágbòàlá Èsú

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Oríkì Yemo

Yemojá mo pè o !!!

Pèlé o Olosa òrìsà!!!!

Yèyé àwon ejá mo pè...

Eniti n so àgàn di olómo mo pè..

Eniti n so táláká di olówó mo pè...

Inú rè ni Olókun ti jade

Inú rè ni Ògún ti jade

Inú rè ni Òsóósì ti jade

Inú rè ni Olosa ti jade

Ko wá gbo igbe èdè mi



Tradução

Yemoja eu te chamo
Te saúdo òrìsà senhora das águas
Mãe dos peixes, eu te chamo
Quem tornou aquela pessoa fértil, senhora dos filhos, eu te chamo;
Dentro de ti nasceu Olókun
Dentro de ti nasceu Ògún
Dentro de ti nasceu Òsóó
Dentro de ti nasceu Olosa
Ouça o meu clamor .....


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Awon òrìsà


Ajaká

AGANJÚ, TERRA FIRME E AJAKÁ SEU PAI

Antes de apaixonar-se pelo caçador, Yemowo deu a luz  a um menino e uma menina, chamados respectivamente iyaderegbe e Òrugòn. O nome Aganjú significa a parte não habitada do país, a região selvagem, terra firme, a planície, ou a floresta; e o nome Òrugòn significa Sr da guerra. A prole da união do paraíso e da terra, isto é, de Obatàlá e de Yemowo, pode assim ser dita representar a união de terra e água. Yemowo é a Deusa dos rios e córregos, e gere as dificuldades causadas pela água. É representada por uma figura feminina, sua cor é o amarelo, contas azuis e vestimenta branca. A adoração de Aganjú parece ter caído em desuso, ou ter-se fundido com a de sua mãe; mas diz-se existir um espaço aberto na frente da residência do rei em Oyo onde Aganjú foi adorado no passado e que ainda se chama Ojú-Aganjú - "Olhos de Aganjú".Iyaderegbe casou-se com seu irmão Òrugòn, e teve um filho chamado Aganju. Parece responder ao khekheme, ou "à região livre de ar" dos povos Ewe, para significar o espaço aparente entre o céu e a terra. A prole da terra e da água seria assim o que nós chamamos de ar. Òrugán apaixonou-se por sua irmã, que recusou-se a ouvir de sua paixão culpada. Um dia Òrugòn aproveitou-se da ausência de seu pai e a possuiu. Imediatamente depois do ato, Iyaderegbe levantou-se e fugiu, esfregando as mãos e lamentando. Ela foi perseguida por Òrugòn, que a tentou consolar dizendo que ninguém precisaria saber do ocorrido. E declarou que não poderia viver sem ela. Pediu-lhe considerar que vivesse com dois maridos, um reconhecido, e o outro em segredo; mas ela rejeitou com horror todas suas propostas e continuou a fugir. Òrugòn, entretanto, alcançou-a rapidamente e quando estava ao alcance de sua mão, ela caiu para trás na terra então seu corpo começou imediatamente a inchar em uma maneira temível, dois córregos da água saíram de seus seios, e seu abdômen explodiu, abrindo-se. Os córregos dos seios de Iyaderegbe uniram-se formando uma lagoa. E da abertura de seu corpo vieram:



Dadá Deus dos Vegetais


Sàngó 
Deus do Relâmpago

Ògún 
Deus do Ferro e da Guerra

Òlokun 
Deusa do Mar

Òlosa 
Deusa da Lagoa

Oyá 
Deusa do Rio Níger

Òsun 
Deusa do Rio Òsun

Oba 
Deusa do Rio Oba

Òrìsà Oko 
Deus da Agricultura

Òsòósi 
Deus dos Caçadores

Oke 
Deus das Montanhas

Ajé 
Deus da Riqueza

Sàponà
Deus da Varíola

Òrun 
O Sol

Òsú 
A Lua

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Capoeira a força de um povo


Elementos da Capoeira Angola

Já dizia o Mestre Pastinha, "Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta." Mas atualmente a Capoeira é normalmente  praticada como um  esporte ou simplesmente folclore para perservar as tradições.
É claro que entre os praticantes sérios, em seus treinos, os golpes são apenas simulados e a Capoeira torna-se um exercício físico e mental. A violência dos seus golpes, no entanto, não deixa espaço para meio termo; ou joga-se Capoeira 'para valer', com as suas sérias consequências ou apenas simula-se um jogo. A possibilidade de enquadrá-la em regras esportivas é inexistente; quem assim o faz está sendo leviano ou não conhece de fato a Capoeira. 

Os Golpes 

A Capoeira Angola tem um número relativamente pequeno de golpes que podem, no entanto, atingir uma harmoniosa complexidade através de suas variações. Assim como a música tem apenas sete notas .
Os seus principais golpes são: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão. 

A Música

A Capoeira é a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos musicais. Isso deve-se basicamente às suas origens entre os escravos, que dessa forma disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, enganando os senhores de engenho e os capitães-do-mato. No início esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores. Posteriormente foi introduzido o Berimbau (foto), instrumento composto de uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior.

O Berimbau, um instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para atrair fregueses, tornou-se instrumento símbolo da Capoeira, conduzindo o jogo com o seu timbre peculiar. Os ritmos são em compasso binário e os andamentos - lento, moderado e rápido são indicados pelos toques do Berimbau. Entre os mais conhecidos estão o São Bento Grande, o São Bento Pequeno (mais rápido), Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada da polícia), o Amazonas e o Iuna.
Numa roda de angoleiros o conjunto rítmico completo é composto por: três berimbaus (um grave - Gunga; um médio e um agudo - Viola); dois pandeiros; um reco-reco; um agogô e um atabaque. A parte musical tem ainda ladainhas que são cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom capoeirista tem obrigação de saber tocar e cantar os temas da Capoeira. 

O Jogo 

"Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas" - Mestre Moraes. O jogo da Capoeira na forma amistosa, ou seja, na roda é verdadeiramente um diálogo de corpos. Dois capoeiristas se benzem ao pé do Berimbau e iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro 'compre o jogo' e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda. 

A Malícia 

Elemento básico da Capoeira Angola, a malícia ou mandinga a torna ainda mais perigosa. Essa malandragem que faz que vai e não vai, retira-se e volta rapidamente; essa ginga de corpo que engana o adversário, faz o diferencial da Capoeira em relação às outras artes marciais. Essa é uma característica que não se aprende apenas treinando. 

Mestres

Vicente Ferreira Pastinha
 (1889-1982) - Mestre Pastinha, "mestre da Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um de seus obás, de seus chefes. É o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem..." Jorge Amado. Baiano de Salvador, do Pelourinho, Pastinha foi o grande mestre da Capoeira Angola, aperfeiçoando a arte centenária dos escravos. Ele organizou uma escola, estabeleceu um método de ensino com base nas antigas tradições e ainda escreveu o primeiro livro do gênero, onde expõe a sua concepção filosófica. Foi com o Mestre Pastinha que foram instituidas as cores amarelo e preto para o uniforme dos angoleiros e a constituição da bateria composta por três berimbaus, dois pandeiros, um atabaque, um reco-reco e um agogô. "Capoeira é tudo o que a boca come", dizia ele na sua singular filosofia. Formou capoeiristas como João Grande, João Pequeno, Curió e tantos outros.
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Antônio Carlos Moraes

Mestre Caiçara

Uma das lendas da Capoeira; sua história mais parece tirada de livros de ficção. Numa época em que o Pelourinho não tinha o glamour de hoje, Mestre Caiçara ditava as regras num território de prostitutas e cafetões; de traficantes e malandros. Todos tinham que pedir a sua benção. Gravou um dos principais discos da Capoeira Angola onde exemplifica os diversos toques de berimbau, além de cantar ladainhas e sambas de roda. Faleceu em agosto de 1997. 

João Pereira dos Santos

Mestre João Pequeno
Aluno do Mestre Pastinha e um dos mais antigos e importantes mestres da Capoeira Angola em atividade. Pela academia do Mestre João Pequeno, no Centro Histórico de Salvador, passaram alguns dos principais angoleiros da nova geração. É possível vê-lo quase todas as noites jogando e ensinando a tradicional arte da Capoeira. Academia de Capoeira Angola de Mestre João Pequeno Centro de Cultura Popular Forte de Santo Antônio - Santo Antônio além do Carmo
 Salvador - Bahia

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João Oliveira dos Santos 

Mestre João Grande

Phd Honoris Causa. Um dos principais díscipulos do mestre Pastinha. Por mais de 40 anos o Mestre João Grande tem praticado e ensinado Capoeira Angola. Ele viajou para África, Europa e América do Norte, onde ensina atualmente, em sua academia na cidade de New York. De lá ele continua mantendo o intercâmbio com a Bahia e acompanhando a movimentação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.
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Roda de Capoeira

História da Capoeira Origem da palavra capoeira, cultura afro-brasileira, luta, funções sociais, como começou a capoeira, proibição, transformação em esporte nacional, os estilos


Raízes africanas 

A história da capoeira começa no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escrava africana foi muito utilizada no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravos vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, na África, faziam muitas danças ao som de músicas. 

No Brasil 

Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.

Os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os escravos utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros.

A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.

Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

Três estilos da capoeira 

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época daescravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Odù - Igbá


– Igbá – Odù

Assim com já descrito, todo iniciado deve passar pelo ide-odù ,para que ele possa iniciar outras pessoas e ter condições de olhar seu Igba’dù sem ficar cego ou perder seu equilíbrio .
O babaláwo irá a uma feira para adquirir os matériais necessários ao preparo de uma mistura na qual ele irá passar em sua orí em defesa de toda energia qual será evocada.
Todos os elementos serão moídos e separados, juntos formam uma mistura que somente os iniciados podem vê-la, ou seja, pessoas que já possuam seu Igbá’dù.
Igbá-Odù significa aquele que possui todos os Ifá, esta divindade esta representada por uma ou várias cabaças, contendo objetos sagrados e de alto custo, seu nome é raramente pronunciado; por se tratar  de espíritos dos babaláwo.
Seus Orùnkó são inúmeros, assim como exemplo abaixo:
Odùlogboje: aquele que é feito de chumbo e não madeira.
Ajerereabojuojo: aquele que seus olhos estão voltados em todas as direções.
Adakinikinikara: juíza suprema distingue o bem e o mau.
Alaburaja: que ama o sangue e dele se alimenta.
Okalekotogowo: aquela que tira o que quer de acordo com sua vontade, ou seja, a ìyàgbá, Igbá – Iwa a cabaça da existência.
Representada por uma grande cabaça que contem quatro menores contendo vários objetos sagrados e de alto custo.
Representa o misterioso oculto, aquilo que jamais pode ser revelado.
Odù w ala n pe l’odù!!!!!!
Odù que não conhecemos salva-nos, símbolo do céu e da terra em união fecunda, detentora suprema de todo conhecimento.
Igba nlá a grande cabaça, simboliza a união do céu e a terra, não sendo permitido em pretexto algum a remoção de sua tampa.
O igbá nlá diferenciada das outras é confeccionada de 1 cabaça grande e 15 menores, onde cada uma receberá um nome específico.
A primeira cabaça menor é chamada de Adesi, de ordem feminina é aquela que vai e volta ( opa ra).
A segunda é Alesesi, de origem masculina;
A terceira é Alaola, origem feminina;
A quarta é Akalè, origem feminina guardião da casa.
A quinta é Bàbá aja, Osó retentor de todo o mau.
A sexta denomina-se Paya, de origem masculina é quem puni as mulheres adulteras;
A sétima é Ìyà agbá, de origem feminina mãe de todos filhos do clã;
A oitava é Akama, de origem feminina é a guardiã das crianças;
A nona é Agaganigogodo, de origem masculina domina o mundo animal;
A décima é Folè, de origem masculina é quem destrói os culpados;
A décima primeira é Olorimerin, de origem feminina é guardiã dos pontos cardeais;
A décima segunda é Elesemafa, de ordem feminina é quem da o destino as crianças;
A décima terceira Adabidalè, de origem masculina retentor do bem e do mau é o guardião dos arredores da casa;
Décimo quarto é Olo, de origem desconhecida o qual nada se sabe;
Décimo quinto é Ofun, de origem masculina comanda o desconhecido para que o sagrado não seja violado.
Igbá – Odù, aquela que é grande e mora nos fundos da casa, onde ninguém transita e cabe exclusivamente aos Bàbálawo cuidar de seus cultos e conservação.
Igbá –nlá, a grande cabaça representa o mundo e tudo que nele habita, sua composição consiste em ;
Granizo que representa o ar, efún que representa a terra e folhas de fogo e tutu para representar a água.
Quem manipula essa energia tem de possuir um profundo conhecimento de cada propriedade, suas finalidades, saber quais representam cada um dos Irùnmolè, os feitos de uma sobre as outras para que essa manipulação não se torne destrutiva e nociva aos seres humanos.
Nosso objetivo é de incentivar aos leitores e amantes do culto aos òrìsà, um motivo para que não se cansem de buscarem e obterem o conhecimento.
Pois assim se sabe que, é só através de conhecimento , respeito e humildade que se faz presente no espírito de ÒRÚNMÌLÀ.......


Ifá a gbe wa o!!!!


Odùdúwa Oríkì


Oríkì Odùdúwa

Odùdúwa ibá
Bàbá mi a dá ìwa
Odúà , a n ìwa gun
Olóotu ife
Jagun Jagun , a fí wò oju ojo
bàbá mi jí lòwúrò kùtùkùtù
O be e , yeri ye
Lòde Ife
Odúà
A jagun gun
O gbo gbaa ibon lójú ogun , kó saa
Odùdúwa o furu bi oyé lóke
O Jagun kó e
Òrìsà eni nwa ire
Alá , a wi be se be
A ro be rí be
Ológun gbege
Odùdúwa gbéra nle ko dide
ki o dide owo
Ki o tún dide olá fún mi o!!!!

Tradução

Oduduwa sadações!!
Meu pai , que cria o comportamento
Odua, que faz as pessoas term boa conduta
O harmonizador da cidade de Ife
O guerreiro que, ao acordar pela manhã anda ativamente por toda cidade de Ife
O benfeitor que não deixa as pessoas passarem fome
O próspero que semeia a prosperidade na vida dos outros
O bom juiz que julga a favor e contra
O senhor do àsé da cidade de Ife
Odua , ovitorioso que guerreia e vence
Ele ouviu o som da espingarda na guerra e não fugiu
Oduduwa  que aparece no ar com uma nuvem
Ele guerreou e trouxe muitos escravos
Òrìsà dos que procuram sorte
Tudo que ele fala acontece. O senhor do àsé
Tudo que ele pensa acontece
Aquele que possuiu magia ativa
Oduduwa , levante da terra
Que você levante com dinheiro e que também com prosperidade para mim.