Ifá o Òrìsà do Destino - Introdução
Òrúnmìlà-Ifá, ocupa uma posição única no panteão africano, através dele podemos decifrar o código secreto espiritual de qualquer ser humano, comunidade ou Nação, pois nele está inciso o poder da criação.
Na ordem divina de Olódùnmarè o espírito é eterno, e através de Òrúnmìlà-Ifá conseguimos obter a soma total de nossa existência, a nossa ligação com o Universo, e o destino que escolhemos para voltar a vida quando nascemos. Ele é o diagnóstico de nosso Elédà (mente superior), sabendo tudo o que aconteceu no passado, está acontecendo e qual será o nosso futuro. Òrúnmìlà-Ifá é a tradução da sabedoria infinita de nosso Deus criador, aquele que tudo sabe, tudo vê, é o verdadeiro elo de ligação entre o homem e o criador.
Na Cultura Yorùbá são os elementos da natureza que dão condição de vida no planeta, a água, o fogo, o ar, e a terra. Estes se apresentam de inúmeras formas que se multiplicam primeiro em dezesseis, sendo o número dos primeiros Òrìsà primordiais, que vieram para ajudar a construção do planeta sob todas as formas de vida, ou os dezesseis Odù, a tradução literária de todos os problemas do homem, e neles estão contidos toda a sabedoria da criação.
Ifá transmite sua palavra através dos dezesseis Odù, e estes são a expressão da natureza que é a fonte de energia que movimentará e determinará a personalidade da pessoa. Estes Odù, multiplicados por mais dezesseis perfazem 256 tipos de divindades diferentes entre si, com atributos próprios e cada um conterá uma complexidade de inúmeros caminhos ao qual servirão para auxílio da raça humana.
Em nosso princípio ancestral, todos nascemos da terra, veja a composição de seu organismo que é composto de água, minerais, ferro, e assim por diante, portanto é natural que para encontrar o equilíbrio de nossa vida também façamos uso dos elementos que saem da própria natureza. Toda a criação Divina tem uma função determinada para auxiliar a sobrevivência em equilíbrio entre as forças negativas e positivas.
Templo de Ifá em Ilé-Ifá, Nigéria - África
Na tradição africana, por tudo o que já foi dito, Ifá é um Órìsà muito venerado. Em sua terra (Ilé-Ifá) existe um templo muito antigo onde todas as sextas-feiras as pessoas vão rezar para a paz no planeta. Como nada será feito de importante sem antes consultá-lo, quando um bebê nasce, entre o terceiro e quinto dia após seu nascimento ele é levado ao Bàbáláwò para que se faça uma consulta a fim de saber qual será o destino desta criança, recebendo tratamento para que o rumo de sua vida seja o melhor possível.
Qualquer caso de saúde, casamentos, financeiro, amoroso, depressão é revelado através de divinação, que além do problema apresentará as possibilidades de melhorar a situação determinando o que poderá ser feito para atrair a sorte, a paz e a felicidade de cada um.
Festa Popular
O Culto a Ifá envolve as oferendas, proteções que são feitas com as magias, e a cada novo ano ele será consultado para saber o futuro da comunidade. Sua importância é tanta que será através da consulta ao Òrìsà que um novo rei será eleito, uma vez que pode conhecer a pessoa ideal para ocupar qualquer cargo tanto como um líder, ou outro tipo de ocupação, estas são marcas que já trazemos de nosso espírito ancestral.
Se após a consulta for determinada a realização de algum sacrifício para um Òrìsà, não se pode esquecer a parte dedicada a Èsù, pois ele é a energia que transformará a sua necessidade, enquanto matéria, em energia sutil a fim de que seu pedido chegue a Olódùnmarè.
Ele é simbolizado por trinta e dois caroços de um tipo especial de palmeira de dendê, os quais apresentam três ou mais "olhos", ao invés de apenas dois, como nas palmeiras comuns. Antes de serem servidos ao Òrìsà, os caroços deverão ser preparados especialmente no bosque de Ifá, para só depois serem manipulados pelo Sacerdote de Ifá para fins de divinação, e só podem ser extraídos por homens.
Quando uma leitura não favorece o consulente, não é necessário ficar em desespero, pois Ifá poderá ser consultado novamente para informar qual o melhor procedimento para eliminar o obstáculo que lhe entravam a felicidade. O animal necessário para o sacrifício só será determinado através da divinação, e após ser efetuado, o consulente deverá apresentar-se mais uma vez perante o Òrìsà a fim de saber se ele se satisfez.
Entre nós, os Yorùbá, os Sacerdotes dedicados a Ifá pedem sua benção todos os dias pela manhã, e uma vez por ano promovem uma festa em sua homenagem.
Cerimônia do Obì Abata
Obì, é um fruto sagrado também considerado Òrìsà, e o de quatro gomos são suficientes para o seu culto diário. Todas as manhãs o Sacerdote colocará um Obì dentro d´agua e começa a bater no Opon-Ifá, com o Iroke-Ifá.
Enquanto bate recitará um Oríkì (evocação) a Ifá como abaixo descrito em lingua Yorùbá
Ti a ba ji a we´wo toni, a we´se kasin owuro
Ti a ba ji, a tun wa fi aso toki bo`ra
Mo ni Òrúnmìlà, o ji re loni
Ela, o ji´re loni
Morohuntolu, Mosiakaragba, omo erin nfon gu l´alo
Omo e ekama owo ko jékun ara abe
Omo abeto winniwinni b´eji ro p´omo akunnu
Omo olobe to fi ori mo odi umo jumo
Oma jire loni o
O ji re loni tokun-tokun
O ji loni tide-tide
O ji bi oloto ti nji nile Ado
O ji biurinrin ti nji lode owo
O ji bi peepee ti nji lodo Asin
O ji bi Olosunta ti nji lode Ikere
O ji bi ala ti nji lode Ado (Ibini)
O ji bi oro gidigba ti nji lode Isele
O ji bi Ubebe ti nji lode Ayo
O ma jeki oni san mi o
Logo após a evocação o Bàbáláwò parte o Obì, que se for do desejo poderá ser jogado para saber se o culto foi bem aceito, e esta água levada a Èsù. Se aceito o Obì cairá com dois gomos virados para baixo e dois gomos virados para cima (imagem da dualidade macho e fêmea) caso o resultado seja Aláàfia, ou seja os quatro gomos virados para cima, Ifá terá aceito o Obì, quando então o Sacerdote dividirá o Obì entre todos as pessoas que irão consultar com ele iniciando os trabalhos do dia.
Na comemoração anual de Ifá, o sacerdote oferece em sua homenagem: màrìwò, frango, peixes, cabra, Ìgbín (caracol), inhame, osuka omu, pedaço de tecido e Obì. O osuka omu, será colocado sobre a imagem de Ifá junto com três inhames amarrados, e assim o Bàbáláwò pronunciará as palavras do culto que em Yorùbá são:
Ifá, mo pe o
Òrúnmìlà, mo pe
Ela mo pe, omo oyigi
Òrúnmìlà mo pe
Et'eti ke gb'ure
Aaya olupe, uupe re ire o
Aaya olupe uupe re ire o
Aaya olupe, pe re ire o
Apeje apemu
Ape ni gbogbo dukia ninu odun yi
Ki o ni apawisi ioni
Ki o ni uwere a nise
Ki o ni wonran niboju ti nmo
Ki o wa gbohun awo loni
Após encerrar esta evocação o Bàbáláwò reza para todos os presentes na festa e partirá o Obì aceito por Ifá, distribuindo pequenos pedaços a cada um. Como oferenda será imolada uma cabra em cujo sangue ficará na imagem de Ifá até o dia seguinte.
Quando chegar ao quinto dia, o Bàbáláwò consultará Ifá, a fim de obter as previsões do ano, e de acordo com o resultado serão oferecidos novos sacrifícios e oferendas de objetos, conforme a resposta do Òrìsà, para que tudo transcorra da melhor forma possível.
No sétimo dia o Bàbáláwò oferece uma festa, na qual se come e bebe encerrando desta forma o Culto anual a Ifá.
Poderíamos falar muito mais sobre Ifá, mas deixo aqui meu e-mail para que entre em contato através do qual darei mais informações e orientações seguras e verdadeiras sobre este Òrìsà.
Os Iniciados no Culto a Ifá
Para aqueles que receberam em seu Orí, a mão de Ifá, após passarem pelos rituais de iniciação, podem ser considerados portadores de um bem inestimável, com ele reencontrarão o caminho de seu destino primordial, puro, limpo de todas as mazelas que adquirimos durante a vida; é um reencontro com nossa transcendência. Mas, é necessário esclarecer que para fazer juz a este direito também será preciso uma altíssima reconsideração de suas atitudes perante a vida, pois este ser não fará mais parte daquilo que chamamos do inconsciente coletivo que prevalece na raça humana, a partir de então passará a ser ele um indivíduo único, diferenciado, o qual terá de cumprir suas obrigações em relação a Ifá com respeito e dignidade a fim de poder receber o verdadeiro Àse e como conseqüência assumindo perante a si próprio responsabilidades muito grande, que se não cumpridas poderão trazer graves conseqüências.
Entendendo o Orí:
Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro Òrìsà que recebemos, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo. Ligados a ele por nosso Elédà, (mente superior), e fonte da inteligência para a sobrevivência no Aiyé (Terra), e dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Òrum (Céu), portanto aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, Ikú (a morte).
Assim, Orí = origem do ser = Elédà ( mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado à Terra (Aiyé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito, e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.
"O pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação", e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional, e isto é ter bom Orí, que saudaremos Olorire, e para aqueles com um mau Orí diremos Olori Burúkú, aquele de cabeça ruim, fraca.
Olódùnmarè, nosso Deus maior nos deu a perfeição, deixando conosco a sabedoria transcendente, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Orí, assim diz o Oríkì (reza), "Nada se faz sem um bom Orí," nem mesmo nosso corpo tem comando, não anda, não prospera, não tem alegrias, não tem saúde.
Ifá em nossa vida
Ifá, é a soma da sabedoria suprema, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo.
Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder avaliarem o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação.
Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia, zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.
A Conduta dos Filhos de Ifá
Fica assim muito claro que para estes filhos a conduta é de suma importância, e que haverá a necessidade de muito domínio de suas emoções onde a humildade, a paciência, o caráter, a dignidade, a sabedoria, deveram ser superiores a qualquer tipo de vaidade, prepotência, arrogância, ambição, sendo estas últimas características que poderão ser usadas indevidamente a fim de obter proveito próprio mas que sem dúvida serão cobradas pela lei universal de ação e reação.
Quando se fala que o Òrìsà castiga, é uma inverdade, pois na realidade a maior parte do sofrimento é fruto do desequilíbrio entre a emoção e a razão humanas, e conforme as atitudes tomadas perante seus semelhantes as forças que irão reagir em sua vida tanto poderão ser positivas como negativas, conquanto serão um fruto do seu bom ou mau Orí, a resposta daquilo que você é.
Em nosso mundo Ocidental achamos que o valor do homem está na obtenção somente de bens materiais, e para o consumo destas necessidades não se mede esforços nem os meios de alcançá-los, mesmo que muitas vezes as formas usadas sejam totalmente incompatíveis com as Leis Superiores. Não há respeito nem pela natureza, nem com seus semelhantes.
Na África, no entanto existe em seu povo a Consciência Plena dos compromissos que existem entre as forças da natureza e os homens, e que o verdadeiro bem não está em usar estes poderes de uma forma inconseqüente, explicando-se assim sua simples forma de vida, os verdadeiros valores do homem não estão em sua conta bancária, mas em seu Elédà, no uso da sabedoria adquirida não somente para o bem de si próprio mas para manter o equilíbrio do planeta.
A terra é a sustentação da vida, todo o mundo físico está sobre ela, carros, asfaltos, prédios , plantação ou qualquer outra coisa, isto tudo faz parte da ilusão do homem, sua maior riqueza está na natureza, sem ar ele não vive, sem terra ele não anda, sem fogo ele não tem progresso, e sem água ele não nasce.
O ser humano vive obcecado dentro de suas ilusões, por isto ele adoece, trapaceia, chora, e ri, deixando-se levar por valores que não são dele mas da condição de uma sociedade, a sua origem pura está perdida em meio a tudo isto e o desequilíbrio se instala em seu Orí, gerando a inveja, a ansiedade, a impaciência, a depressão, ele é um ser desconectado de seu Eu interior (Elédà), sem isto não consegue ouvir sua própria consciência e chegar verdadeiramente a Deus.
Quanto mais nos aprofundamos conseguindo entender a grandeza da sabedoria divina, mais distantes estaremos das banalidades, uma vez que a riqueza já está codificada dentro de nossa alma, é uma força sutíl que nossa sensibilidade grotesca não consegue perceber, e como resultado não temos paz, felicidade e prosperidade.
Antes de qualquer compromisso com Ifá, esta pessoa deve estar informada e preparada para assumir esta conduta.
A lealdade com o princípio Divino, estará acima de tudo.
A Transformação dos filhos Iniciados em Ifá:
No momento da iniciação o destino vivido por esta pessoa até então, estará sendo limpo, enterrado, dela serão tiradas todas as forças contrárias, e haverá uma mudança no trajeto até então vivenciado, fazendo com que seu Orí encontre o destino do momento de sua concepção, apagando as imperfeições conseqüentes de sua vida refletida pela sociedade onde nasceu, cresceu e vive para reencontrar a sua origem perfeita.
Mas para que esta força de fato venha adentrar em seu Orí e passe a fazer parte de sua existência estes novos filhos deverão procurar além de cumprir leis, entender, estudar o sentido desta filosofia para que a magia desta iniciação prevaleça neste Orí, sendo ela independente de seu Órìsà Guardião.
Ifá, é um culto tradicional considerado a fonte de todas as outras formas de adoração, é um livro de orientação, um roteiro, que trata você como indivíduo único e através do qual receberá suas regras de conduta pessoais Ewos, (leis) de acordo com sua origem ancestral, leis estas que irão levá-lo a obtenção da realização de sua felicidade de acordo com sua própria história e missão.
Aqui não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas a leitura daquilo que você sempre foi, desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das soluções apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá. Assim em nada se parece a qualquer religião, associações ou fraternidades que existem, onde todos são tratados como massa independendo da inteligência, e onde seu Eu Interior não é respeitado.
O aprendizado correto da forma de sua cultuação requer um grau elevado no domínio de seu comportamento já cheio de vícios de personalidade este é o verdadeiro Àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência adquirida e poder reformular sua vida de forma a satisfazer sua vida.
Ritual de Iniciação em Ifá:
Primeiro o candidato será apresentado ao sacerdote, que jogará então o Opele-Ifá, e através dele terá a visão plena das condições necessárias para que este Orí possa receber esta iniciação. Jamais esta avaliação será feita através do jogo de búzios como é de costume aqui no Brasil.
Uma vez aceito, esta preparação será feita com um mês de antecedencia, quando então o sacerdote irá para a floresta sagrada à procura das sementes também sagradas, o Ikin, e então passadas por rituais que somente os Bàbáláwò podem executar.
Estas sementes são dotadas de três ou mais olhos (3.º olho, Iwa Yi, o olho do caráter), e serão escolhidas para cada pessoa de acordo com os Odú que caíram durante o jogo, não podemos esquecer que Ifá traduz a sua individualidade.
Durante o ritual iniciático, enquanto estão sendo batidas as sementes de ikin, o sacerdote estará recitando os versos (Itan) dos 16 Odú principais, mais Odú-Ifá Oseturá, que representa a criação da diversidade no Universo, e assim a visão dos inúmeros caminhos traduzidos pelos Odú, dando a Òrúnmìlà o nome de Eleripin (A Semente da Criação).
Estas sementes rezadas individualmente será o Ibá-Ikin-Ifá, elemento que fará a ligação de seu Elédà com sua origem Divina o qual estará relacionado aos primeiros 16 Odú, os Órìsà primordiais, e a multiplicação destes. A sua matriz de origem estará sendo invocada para dar sentido a sua vida aqui na terra.
Esù-Ifá
A ilusão nos causa impressões de que algo visto de perto pareçam simétricas, e quando vistas à distancia terão um novo foco, assim vice e verça. Partindo deste princípio tudo depende do modo como se "olha", assim a justiça, ou a injustiça, o bem e o mau, assim como é importante as pessoas terem em conta que muitas vezes aquilo que lhes faz bem hoje, com o tempo pode não ser, da mesma forma que aquilo que hoje é ruim, amanhã poderá ser muito bom.
Para a cultura Yorùbá, Èsù é o justiçeiro Divino, aquele que olha tudo, que leva a Olódùnmarè os anseios do homem e o trás de volta em forma de benefício, Àse ou não.
Tudo o que existe tem sua polaridade, e Èsù será aquele que nos dará a pista de qual o caminho tomar, ele traduz a linguagem densa de nossa crosta terrestre para chegar no divino, gerando caminhos (Odú), portanto ele é a primeira semente geradora.
Quando você conversa com a natureza e isto lhe trás benefício é Èsù que traduziu o seu código mental para a energia pura, trazendo de volta em forma de prazer interior.
Se o Ikin-Ifá é a mente, para cada inciciado será então plantado um Èsù, pois ele é quem vai transformar os desejos interiores no seu mundo paupável, a mente é a razão, e Èsù o gerador, aquele que faz conceber, nascer, criar e tornar possível os frutos desta razão.
Ele será plantado em uma pedra na qual os sacerdotes invocarão um espírito, e daí por diante você deverá criar uma afinidade de tal forma que tudo o que faça possa com ele dialogar, em todos os momentos, todos os dias e horas, se não fisicamente, mentalmente, criar uma simbiose. Forças são energias vivas que não podem ficar paradas, se você não tem este contato, com o tempo se vão, e aí você perderá novamente este elo de ligação, e só lhe restará uma pedra.
Ikin-Ifá e Èsù-Ifá
Por conclusão, quando o iniciado recebe estes elementos sagrados o seu equilíbrio espiritual será completo, representando a unidade entre aquilo que se pensa e aquilo que se faz.
Aquele que vive somente dentro da razão concentra na parte central do seu corpo esta energia, e viverá sempre tenso, dores de cabeça, mau humorado, é um ser nervoso.
Quando ao contrário a pessoa se agita muito mais do que faz, serão aqueles que não sabem nem o que fazem, nem para onde ir, e vivem se debatendo de um lado para o outro sem sentido ou objetivos.
O equilibrio está em pensar, e fazer. O Orí cria objetivos, os pés correrão o mundo, e as mãos farão o que precisa.
A manutenção deste enorme bem recebido terá que ser cumprido, sob muitas formas: Ao se levantar de manhã, em jejum sem falar com ninguém deverá orar para eles. Todas as sextas-feiras fará sua oferanda da semana. A cada 30 dias, sua oferenda de mês. E a cada ano será feita festa em sua homenagem. Todos os preceitos, oferendas ou qualquer coisa que fará sempre será sob a orientação de um Bàbáláwò, nenhum outro grau hierarquico dentro de nossa religião está apto para dar orientação sob a conduta e procedimento para os filhos de Ifá. É bom que se diga que na África, Bàbáláwò não são possuidos pelos Eleguns, e este um título é usado no Brasil indiscriminadamente por pessoas que não conhecem a profundidade de seus reais fundamentos.
Centro Cultural Omo Odùdúwà
Tel.: (11) 3501.1565 / 3501.1657
TEMPLO OMOODUDUWA AFRICANO - Tel.: - (81) 3429.6188
Brasília - Tel.: - (61) 8155.1039
E-mails: faleconosco@aseomooduduwa.com.br
Bàbá Prince Solà
Dedicado aos admiradores do culto a Olodùmaré
terça-feira, 30 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Bocio - etnia Fon
Entre os Fon, distinguem-se dois tipos de objetos de culto.
Um deles são os altares Assen, espécie de cetros decorados com lâminas zoomorficas.
A segunda categoria são os objetos chamados Bocio, (Bocchio / Bochio / Boccio / Bocie / Bocio / Botchio) , usados nas cerimonias Vodu, para atrair os espiritos do bem e afastar as forças do mal.
A raiz da palavra é formada por duas silabas:
bo, significando conferir poder
cie, significando defunto, cadaver
Portanto bocie quer dizer conferir poder ao cadaver , num objeto de poder que se assemelha a um ser humano.
Essas grandes estatuetas de madeira representam o corpo de pessoas e são plantados no chão na entrada dos vilarejos ou das casas.
Sua função é dar proteção aos moradores afastando os maus espiritos.
Essas imagens são feitas pelos ferreiros sob a orientação do adivinho de Fa.
São frequentemente esculpidas sobre um galho e recobertas de substâncias magicas ate encobrir totalmente os contornos da figura.
Essas substâncias são feitas de sangue, oleo de palma, cerveja e partes de animais que facultam poderes magicos ao Bocio.
Além das figuras Bocio, grande parte da arte Fon é encomendada pelas cortes reais.
Tecidos e bandeiras com apliques usadas no passado como uma espécie de brasão penduradas nas paredes ou usadas em procissões.
Publicada por Claudio Zeiger
Entre os Fon, distinguem-se dois tipos de objetos de culto.
Um deles são os altares Assen, espécie de cetros decorados com lâminas zoomorficas.
A segunda categoria são os objetos chamados Bocio, (Bocchio / Bochio / Boccio / Bocie / Bocio / Botchio) , usados nas cerimonias Vodu, para atrair os espiritos do bem e afastar as forças do mal.
A raiz da palavra é formada por duas silabas:
bo, significando conferir poder
cie, significando defunto, cadaver
Portanto bocie quer dizer conferir poder ao cadaver , num objeto de poder que se assemelha a um ser humano.
Essas grandes estatuetas de madeira representam o corpo de pessoas e são plantados no chão na entrada dos vilarejos ou das casas.
Sua função é dar proteção aos moradores afastando os maus espiritos.
Essas imagens são feitas pelos ferreiros sob a orientação do adivinho de Fa.
São frequentemente esculpidas sobre um galho e recobertas de substâncias magicas ate encobrir totalmente os contornos da figura.
Essas substâncias são feitas de sangue, oleo de palma, cerveja e partes de animais que facultam poderes magicos ao Bocio.
Além das figuras Bocio, grande parte da arte Fon é encomendada pelas cortes reais.
Tecidos e bandeiras com apliques usadas no passado como uma espécie de brasão penduradas nas paredes ou usadas em procissões.
Publicada por Claudio Zeiger
O Asen representa os mortos, e com exceção dos reis e das personalidades, não costumam retratar o falecido.
O Asen não tenta representar o caráter.
De outro lado , quando presente no momento de um ritual para o morto, ele permite invocar o espirito de alguma pessoa
Sua presença parece indicar que uma pessoa está sendo confrontada. Não obstante ´´e um suporte para uma ação ritualística. O termo altar móvel descreve bem sua função nesse contexto.
É uma peça bastante leve para ser levada de um local para outro e se necessário favorece a transportar a refeição sagrada para aqueles que não podem absorver os elementos materiais.
Ha dois tipos de assen usados pelos Bokonon, Assen Acrelele e o Assen Hotagantin.
O primeiro é fixado no solo diante do consultante pelo advinho, antes do jogo, permitindo que o sacerdote enxergue o passado, o presente e o futuro.
Esse objeto possui um topo metálico recurvado que pode ser usado para o adivinho apoiar o seu ombro.
O Asen Acrelele não se reporta aos ancestrais do Bokonon, mas a todos os seus antecessores falecidos, cuja presença é aguardada para dirigir a cerimonia.
O Asen Hotagantin não é proprimente um altar , mas um simbolo das casas de boa reputação.
O Asen não tenta representar o caráter.
De outro lado , quando presente no momento de um ritual para o morto, ele permite invocar o espirito de alguma pessoa
Sua presença parece indicar que uma pessoa está sendo confrontada. Não obstante ´´e um suporte para uma ação ritualística. O termo altar móvel descreve bem sua função nesse contexto.
É uma peça bastante leve para ser levada de um local para outro e se necessário favorece a transportar a refeição sagrada para aqueles que não podem absorver os elementos materiais.
Ha dois tipos de assen usados pelos Bokonon, Assen Acrelele e o Assen Hotagantin.
O primeiro é fixado no solo diante do consultante pelo advinho, antes do jogo, permitindo que o sacerdote enxergue o passado, o presente e o futuro.
Esse objeto possui um topo metálico recurvado que pode ser usado para o adivinho apoiar o seu ombro.
O Asen Acrelele não se reporta aos ancestrais do Bokonon, mas a todos os seus antecessores falecidos, cuja presença é aguardada para dirigir a cerimonia.
O Asen Hotagantin não é proprimente um altar , mas um simbolo das casas de boa reputação.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Conceito e Religião
O caminho
para fé
Comumente as dores e
sofrimento, são os responsáveis pelo ingresso das pessoas as Casas de
Tratamento Espirituais, observando-se em menor número aquelas que as procuram
por desejar conhecer ou estudar esta ou aquela Doutrina.
Em qualquer dos casos, é fundamental que o recém-chegado
busque a orientação espiritual, seja através de consultas ou de grupos de
orientação formados por médiuns intuitivos preparados para essa tarefa.
Essa orientação indicará qual o tratamento mais adequado,
evidenciando-se, contudo a necessidade de conhecimento de causa, aceitação da
necessidade do tratamento seja por ebó ou ètùtù como recursos básicos em
qualquer situação.
Todo recém-chegado ou iniciado tem como meta estudar
e se aprofundar em todo histórico religioso, deixando bem claro que para
estudar e compreender qualquer Doutrina Espiritual o indivíduo não precisa ser
ou ter passado por nenhum tipo de ritual iniciativo. Quero lembrar aos mais
radicais que as Universidades, cito: USP, PUC, URJ entre outras, que oferecem
os cursos de Sociologia e Antropologia, são em sua maioria alunos que nunca
tiveram se quer ouvido falar no Culto aos Òrìsà (Orixas) e entre tanto
as portas e segredos deste culto são escancarados sem nenhum critério; fazem
isto claro os maus Sacerdotes se é que assim possam ser chamados com a intenção
de aparecer.
Enquanto seus filhos ou seguidores, que estes sim,
precisam de orientação e ensino tem como resposta que ainda não está na hora,
ou pior, a fruta só da no tempo....
Temos também outro grupo composto por pessoas que só
veem o lado divertido das manifestações, onde se busca a predição do futuro e
onde se utilizam os espíritos que a isso prestam para futilidades e zombarias
de toda espécie.
Aos espíritos levianos muito agrada esse tipo de
culto.
O simples e bom senso diz que elevados não comparecem
a cultos desse. Cometeria uma profanação aquele que convidasse para semelhantes
cultos individualidades veneradas porque seria misturar o sagrado com o
profano.
Existem também pessoas que tem a necessidade de ver
algum tipo de manifestação física.
Para muitas, oferecem mais um espetáculo curioso do
que instrutivo.
Para os incrédulos estes saem delas mais admirados do
que convencidos. O mesmo não se da com aqueles que hajam estudado porque
compreenderão antecipadamente possibilidade dos fenômenos e a observação dos
fatos positivos que lhes determina ou completa a convicção se houver
subterfúgios, estarão em condição de descobri-los. Quando dirigidas com métodos
e prudência dão bons resultados; entretanto, há que e reconhecer que foram
experiências dessa ordem que levaram os pesquisadores à descoberta de leis que
regem o mundo invisível e para muita gente constitui meio de convicção.
CONSCIENCIA INSTRUTIVAS
De caráter muito diverso dos anteriores onde se pode
ter o verdadeiro conhecimento quanto à equipe de estudo, visam elevados
objetivos de fraternidade, ensinamento e elevação. A primeira condição é que
sejam reuniões sérias onde se vai cogitar de coisas uteis, excluindo-se todas
as outras.
Para isso, há que se contar com a presença de bons
sacerdotes que acorrem onde se agrupem pessoas bem intencionadas e em condições
propícias.
As reuniões de estudo são de imensa utilidade para
seguidores de manifestações inteligentes, sobretudo para aqueles que desejam
seriamente aperfeiçoar-se em seu trabalho e que a elas comparecem sem serem
dominados pela tola presunção de infalibilidade. O bom aprendiz é aquele que
não abrange apenas o ensinamento moral que se é passado, mas, também, o estudo
dos fatos.
CONCEITO DE RELIGIÃO
Definição:- Religião (do latim, religar, liga, unir)
quando bem compreendida deveria ser um laço que unisse os homens entre si,
através de um mesmo pensamento ao princípio superior das coisas.
Sabemos que existe na alma humana um sentimento
natural, a busca da perfeição identificando o bem e a justiça, sentimento este
que esclarecido pela Ciência, fortificado pela razão, apoiado na liberdade de
consciência viria a ser móvel das grandes ações, mas que uma arma falseada,
materializada tornou-se pela inquietação das teocracias um instrumento de
dominação egoística.
A religião deve ser simples, sem formas, sem cultos
exteriores.
A verdadeira religião é um sentimento é no coração do
ser humano, e não nas formas ou manifestações exteriores que está o melhor
Templo de Deus.
As religiões são formas de reintegração do homem às
leis naturais, instituições sociais em que se condensam as instituições
espirituais que indicam ao homem o caminho de volta a Deus.
Ao voltarmos ao passado refletindo sobre as religiões
existentes na época, ficamos perplexos ao verificarmos o quanto são lentos a
marcha e o progresso do ser humano no que diz respeito a cultos e crenças
religiosas.
Tudo nos parece um grande mistério, porém, numa grande
analise mais profunda se constata que todas as crenças e religiões, com suas
formas materiais e cerimoniais extravagantes, tinham por objetivo chocar a
imaginação do povo.
Por detrás desses mistérios as religiões antigas
apareciam sob diversos aspectos, tinham ao mesmo tempo um caráter grave e
elevado ou científico e filosófico; seu ensino era duplo: exterior e público,
mas também interior e secreto, onde só era permitida a participação dos
iniciados, ou seja, escolhidos, que eram preparados desde a infância e por toda
sua vida para o conhecimento cientifico e religioso, trabalhando seu caráter e
despertando as faculdades da Alma.
Os iniciados conheciam também os segredos das forças
naturais, fluídicas e magnéticas, baseando-se em certos poderes da natureza.
Comunicava-se com os poderes ocultos do Universo, e
os que detinham esses conhecimentos eram chamados e eleitos e os seus atos
tidos como sobrenatural.
Toda religião teria duas fazes: uma aparente (forma e
letra) e outra oculta (espírito); debaixo do símbolo material dissimulavam o
sentido religioso.
O Bramanismo (Índia), o Hermetismo (Egito),
Politeísmo (Grécia), Egbe Yorubá (sociedade Yorùbá), o próprio Cristianismo em
sua origem, tinham aspecto duplo.
Para conhecer esses aspectos é preciso um estudo
minucioso de cada uma delas e sua importância perante seu povo e sua época.
Desprendendo-se do seio dos mitos e dogmas, o
principio gerador que lhes comunicava a força e a vida, descobre-se a doutrina
única, superior e imutável, e que todas elas não são mais do que adaptações
imperfeitas e transitórias proporcionando as necessidades dos tempos e dos
meios.
Após pacientes estudos e numerosas descobertas, Max
Muller (escritor) conseguiu reconstruir esses ensinos secretos e desvendam dos
seus mistérios chegou-se a conclusão de que todos os ensinos das religiões
antigas se ligam porque em suas bases encontram-se os mesmos fundamentos
revelados de tempos em tempos, por inúmeros mensageiros e missionários de Deus.
O SENTIMENTO RELIGIOSO
A origem do sentimento religioso esta baseada na lei
de adoração, sentimento inato ao homem, desde o despertar de sua atenção para
as coisas que o envolve.
Do homem primitivo aos dias de hoje a adoração passou
por varias fases de evolução; algumas foram importantes e se conservam até hoje;
outras se perderam no tempo, porém todas tiveram sua importância.
O processo de adoração se desenvolve desde o reino
mineral ate o nominal, ligados entre si, se misturando, da passagem de um estágio
a outro.
O homem carrega sua herança através do tempo.
Desde a origem do sentimento religioso, os
pesquisadores afirmam que aliado ele, já se conhecia a crença na sobrevivência
da alma, embora com outros nomes.
O primeiro fato concreto surgiu com a crença em uma
força misteriosa que podia manifestar-se através dos objetos e coisas, podendo
também atuar em seres humanos.
Ficou conhecida com o nome polinésio de “Mana” e
“Ordena”, sua força produzia os mais estranhos fenômenos, isso foi verificado entre
diversas Tribos primitivas na África, Brasil e nas diversas regiões do Mundo.
Os sacerdotes do culto aos Irunmòle (òrìsà) se
utilizam dessa força para realização dos seus trabalhos e curas.
O segundo fato é a prova da existência dos próprios espíritos,
divindades Africanas e das práticas mágicas.
Período chamado de Antropomorfismo, que é a
característica psíquica do mundo primitivo, a maneira rudimentar da
interpretação da natureza pelo homem.
Classificada da seguinte
forma:
Litolatria: adoração às pedras
e coisas da natureza
Fitolatria: adoração aos
vegetais, plantas, flores, árvores
Zoolatria: adoração aos
animais
Mitologia: adoração aos Deuses
Com o desenvolvimento da razão, o homem transfere sua
adoração para seres humanos, cultuando seus mortos¸ seus antepassados.
Surge assim o Culto aos Ancestrais, Osíris, Iris, Hórus,
Odùdúwa, Sòngó, Òsóòsí, Ògún, entre outros, foram
cultuados como ancestrais e se tornaram mitos.
Assim como a Zoolatria; surgem verdadeiros deuses de
formas estranhas e absurdas, gente e animal ao mesmo tempo, cultuados no antigo
Egito.
A Mitologia foi um de muitos sacrifícios num
verdadeiro festival de oferendas, onde a África e a Grécia foram os lugares que
mais se apegaram a esse tipo de adoração.
O homem já trazia a intuição de Deus, ou de um
superior, que ele não compreendia, mas identificava nos fenômenos da natureza
tais como a chuva, o trovão, etc.
Ainda hoje, as tribos mais primitivas que não tiveram
contato com os povos mais avançados bem como com suas religiões, temem e
cultuam a Deus.
Essa crença ou intuição de Deus foi o gérmen de todas
as religiões, que se se desenvolveu a partir de então, tomando rumos diferentes
e adquirindo características divergentes. No entanto, em pelo menos dois
aspectos, todas elas concordaram sempre: A existência de um ser ou seres
superiores, que chamaram Deus ou deuses e na existência de um mundo espiritual,
imperceptível aos nossos sentidos, mas atuante, onde para eles, habitavam os
deuses ou demônios.
A
EVOLUÇÃO RELIGIOSA
Foi entre os povos primitivos do Oriente que surgiram
as primeiras organizações religiosas da terra; aos qual Jesus enviava periodicamente
seus mensageiros e profetas.
Naquela época por não haver a escrita, as tradições
se transmitiam de geração a geração pela palavra; com o surgimento da escrita,
faz-se surgir uma nova era de conhecimentos espirituais no campo religioso.
Os primeiros povos a nos trazerem escritos religiosos
foram os “Vedas”, e isso já faz uns seis mil anos (A.C.), textos estes que inspiraram
várias linhas filosóficas da Índia.
A partir do ano 3.000AC, surge às doutrinas
orientais: a trilogia Chinesa, o Islamismo, o Budismo e a tradição Yorubá,
embora esta se utilizasse do recurso da escrita.
Mais ou menos 1000 AC sábios, sacerdotes e o povo
judeu recolheram lendas, tradições, costumes e leis que agrupadas formaram o
Velho Testamento, daí para frente o povo passa a crer na existência do Deus
único.
Certamente a Gênese de todas as filosofias da
humanidade teve sua origem sob ascendência de Amor de Deus, que na direção do
planeta Terra sempre nos enviou os seus emissários para pregar o amor, a
justiça e a sabedoria.
O seu desvelado amor acompanhou de tempo em tempo a
evolução de todas as criaturas em todas as direções da Terra.
A história da China, da Pérsia, do Egito, Índia, dos
Árabes, Israelitas, Africanos, Gregos, Judeus e Romanos estão clareadas pelas
leis dos seus poderes.
Todos cumpriram seus deveres como se fosse Ele
próprio em sucessivas reencarnações.
No Mana Darva encontramos a lição de Deus, na China
com sua Trilogia Fo-Hi, Láo Tsé e Confúcio (3.000 AC).
No Tibet nos ensinamentos de Buda, no Pentateuco de
Moisés, no Alcorão de Maomet, no Monólito de Ninrod Odùdúwa na tradução de sua
cabala Yòrùbá.
Cada raça recebeu a seu tempo seus instrutores como
se fosse enviado de Deus na resplandecência de sua glória.
Cada emissário trouxe uma das modalidades da grande
lição do Mestre da Galileia.
A verdade é que todos os livros e tradições da
antiguidade guardam entre si a mais estreita unidade substancial evoluindo
gradativamente em conhecimento a respeito de Deus em toda a sua essência e
amor.
Porém, o orgulho, a vaidade, a iniquidade modificaram
o verdadeiro e único sentido de cada religião uma fonte de satisfação salientando
que muitos cultos do Oriente e do Ocidente caminharam para o Terreno da
dissolução e da imoralidade.
Kekere Awo e Bàbálòrìsà Ifágbòàlá Èsú
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Oríkì Yemojá
Yemojá mo pè o
!!!
Pèlé o Olosa òrìsà!!!!
Yèyé àwon ejá
mo pè...
Eniti n so àgàn
di olómo mo pè..
Eniti n so táláká
di olówó mo pè...
Inú rè ni Olókun
ti jade
Inú rè ni Ògún
ti jade
Inú rè ni Òsóósì ti jade
Inú rè ni Olosa
ti jade
Ko wá gbo igbe èdè mi
Tradução
Yemoja eu te chamo
Te saúdo òrìsà senhora das águas
Mãe dos peixes, eu te chamo
Te saúdo òrìsà senhora das águas
Mãe dos peixes, eu te chamo
Quem tornou aquela
pessoa fértil, senhora dos filhos, eu te chamo;
Dentro de ti nasceu Olókun
Dentro de ti nasceu Ògún
Dentro de ti nasceu Òsóósì
Dentro
de ti nasceu Olosa
Ouça o meu clamor .....
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Awon òrìsà
Ajaká
Antes de apaixonar-se pelo caçador, Yemowo deu a luz a um menino e uma menina, chamados respectivamente iyaderegbe e Òrugòn. O nome Aganjú significa a parte não habitada do país, a região selvagem, terra firme, a planície, ou a floresta; e o nome Òrugòn significa Sr da guerra. A prole da união do paraíso e da terra, isto é, de Obatàlá e de Yemowo, pode assim ser dita representar a união de terra e água. Yemowo é a Deusa dos rios e córregos, e gere as dificuldades causadas pela água. É representada por uma figura feminina, sua cor é o amarelo, contas azuis e vestimenta branca. A adoração de Aganjú parece ter caído em desuso, ou ter-se fundido com a de sua mãe; mas diz-se existir um espaço aberto na frente da residência do rei em Oyo onde Aganjú foi adorado no passado e que ainda se chama Ojú-Aganjú - "Olhos de Aganjú".Iyaderegbe casou-se com seu irmão Òrugòn, e teve um filho chamado Aganju. Parece responder ao khekheme, ou "à região livre de ar" dos povos Ewe, para significar o espaço aparente entre o céu e a terra. A prole da terra e da água seria assim o que nós chamamos de ar. Òrugán apaixonou-se por sua irmã, que recusou-se a ouvir de sua paixão culpada. Um dia Òrugòn aproveitou-se da ausência de seu pai e a possuiu. Imediatamente depois do ato, Iyaderegbe levantou-se e fugiu, esfregando as mãos e lamentando. Ela foi perseguida por Òrugòn, que a tentou consolar dizendo que ninguém precisaria saber do ocorrido. E declarou que não poderia viver sem ela. Pediu-lhe considerar que vivesse com dois maridos, um reconhecido, e o outro em segredo; mas ela rejeitou com horror todas suas propostas e continuou a fugir. Òrugòn, entretanto, alcançou-a rapidamente e quando estava ao alcance de sua mão, ela caiu para trás na terra então seu corpo começou imediatamente a inchar em uma maneira temível, dois córregos da água saíram de seus seios, e seu abdômen explodiu, abrindo-se. Os córregos dos seios de Iyaderegbe uniram-se formando uma lagoa. E da abertura de seu corpo vieram:
Dadá Deus dos Vegetais
Sàngó
Deus do Relâmpago
Ògún
Deus do Ferro e da Guerra
Òlokun
Deusa do Mar
Òlosa
Deusa da Lagoa
Oyá
Deusa do Rio Níger
Òsun
Deusa do Rio Òsun
Oba
Deusa do Rio Oba
Òrìsà Oko
Deus da Agricultura
Òsòósi
Deus dos Caçadores
Oke
Deus das Montanhas
Ajé
Deus da Riqueza
Sàponà
Deus da Varíola
Òrun
O Sol
Òsú
A Lua
Deus do Relâmpago
Ògún
Deus do Ferro e da Guerra
Òlokun
Deusa do Mar
Òlosa
Deusa da Lagoa
Oyá
Deusa do Rio Níger
Òsun
Deusa do Rio Òsun
Oba
Deusa do Rio Oba
Òrìsà Oko
Deus da Agricultura
Òsòósi
Deus dos Caçadores
Oke
Deus das Montanhas
Ajé
Deus da Riqueza
Sàponà
Deus da Varíola
Òrun
O Sol
Òsú
A Lua
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Capoeira a força de um povo
Elementos da Capoeira Angola
Já dizia o Mestre Pastinha, "Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta." Mas atualmente a Capoeira é normalmente praticada como um esporte ou simplesmente folclore para perservar as tradições.
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É claro que entre os praticantes sérios, em seus treinos, os golpes são apenas simulados e a Capoeira torna-se um exercício físico e mental. A violência dos seus golpes, no entanto, não deixa espaço para meio termo; ou joga-se Capoeira 'para valer', com as suas sérias consequências ou apenas simula-se um jogo. A possibilidade de enquadrá-la em regras esportivas é inexistente; quem assim o faz está sendo leviano ou não conhece de fato a Capoeira.
Os Golpes A Capoeira Angola tem um número relativamente pequeno de golpes que podem, no entanto, atingir uma harmoniosa complexidade através de suas variações. Assim como a música tem apenas sete notas . Os seus principais golpes são: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão. A Música A Capoeira é a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos musicais. Isso deve-se basicamente às suas origens entre os escravos, que dessa forma disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, enganando os senhores de engenho e os capitães-do-mato. No início esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores. Posteriormente foi introduzido o Berimbau (foto), instrumento composto de uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior. O Berimbau, um instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para atrair fregueses, tornou-se instrumento símbolo da Capoeira, conduzindo o jogo com o seu timbre peculiar. Os ritmos são em compasso binário e os andamentos - lento, moderado e rápido são indicados pelos toques do Berimbau. Entre os mais conhecidos estão o São Bento Grande, o São Bento Pequeno (mais rápido), Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada da polícia), o Amazonas e o Iuna. Numa roda de angoleiros o conjunto rítmico completo é composto por: três berimbaus (um grave - Gunga; um médio e um agudo - Viola); dois pandeiros; um reco-reco; um agogô e um atabaque. A parte musical tem ainda ladainhas que são cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom capoeirista tem obrigação de saber tocar e cantar os temas da Capoeira. O Jogo "Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas" - Mestre Moraes. O jogo da Capoeira na forma amistosa, ou seja, na roda é verdadeiramente um diálogo de corpos. Dois capoeiristas se benzem ao pé do Berimbau e iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro 'compre o jogo' e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda. A Malícia Elemento básico da Capoeira Angola, a malícia ou mandinga a torna ainda mais perigosa. Essa malandragem que faz que vai e não vai, retira-se e volta rapidamente; essa ginga de corpo que engana o adversário, faz o diferencial da Capoeira em relação às outras artes marciais. Essa é uma característica que não se aprende apenas treinando. Mestres Vicente Ferreira Pastinha (1889-1982) - Mestre Pastinha, "mestre da Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um de seus obás, de seus chefes. É o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem..." Jorge Amado. Baiano de Salvador, do Pelourinho, Pastinha foi o grande mestre da Capoeira Angola, aperfeiçoando a arte centenária dos escravos. Ele organizou uma escola, estabeleceu um método de ensino com base nas antigas tradições e ainda escreveu o primeiro livro do gênero, onde expõe a sua concepção filosófica. Foi com o Mestre Pastinha que foram instituidas as cores amarelo e preto para o uniforme dos angoleiros e a constituição da bateria composta por três berimbaus, dois pandeiros, um atabaque, um reco-reco e um agogô. "Capoeira é tudo o que a boca come", dizia ele na sua singular filosofia. Formou capoeiristas como João Grande, João Pequeno, Curió e tantos outros. |
Antônio Carlos Moraes Mestre Caiçara Uma das lendas da Capoeira; sua história mais parece tirada de livros de ficção. Numa época em que o Pelourinho não tinha o glamour de hoje, Mestre Caiçara ditava as regras num território de prostitutas e cafetões; de traficantes e malandros. Todos tinham que pedir a sua benção. Gravou um dos principais discos da Capoeira Angola onde exemplifica os diversos toques de berimbau, além de cantar ladainhas e sambas de roda. Faleceu em agosto de 1997. João Pereira dos Santos Mestre João Pequeno Aluno do Mestre Pastinha e um dos mais antigos e importantes mestres da Capoeira Angola em atividade. Pela academia do Mestre João Pequeno, no Centro Histórico de Salvador, passaram alguns dos principais angoleiros da nova geração. É possível vê-lo quase todas as noites jogando e ensinando a tradicional arte da Capoeira. Academia de Capoeira Angola de Mestre João Pequeno Centro de Cultura Popular Forte de Santo Antônio - Santo Antônio além do Carmo Salvador - Bahia |
João Oliveira dos Santos Mestre João Grande Phd Honoris Causa. Um dos principais díscipulos do mestre Pastinha. Por mais de 40 anos o Mestre João Grande tem praticado e ensinado Capoeira Angola. Ele viajou para África, Europa e América do Norte, onde ensina atualmente, em sua academia na cidade de New York. De lá ele continua mantendo o intercâmbio com a Bahia e acompanhando a movimentação da Associação Brasileira de Capoeira Angola. |
Roda de Capoeira
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